sábado, 14 de fevereiro de 2015

Dez objetos para as casas do mundo por Carlos Solano

Mensagem do bem:
Apresento dez objetos para enriquecer a vida, dez objetos para melhorar o mundo.
O primeiro é um cesto vazio, logo à entrada da casa: recuperando uma tradição indígena, ali quem chega deposita as tensões antes de entrar e, ao sair, deixa seus melhores votos.



No centro de todas as casa, proponho a imagem de uma criança. Da própria infância, do filho ou do menino Deus. Para irradiar esperança e lembrar que é sempre possível recomeçar.


O melhor lugar para fazer uma galeria de fotos da família, o corredor, o coração de todas as casas.

Bem à mostra, na sala de visitas, um objeto inútil. Não falo de um quinquilharia qualquer. Falo do que não tem função, mas nos encanta e, por isso, estimula o bem-viver. Serve até uma pedrinha, desde que lembre uma pessoa ou um momento especial.


Uma guloseima. De que tipo? Tanto faz. Mas que seja doce e caseira. Para oferecer aos amigos e aos amores, para representar o que os índios chamam de txai – traduzindo, “A melhor parte de mim guardada em você”. Para adoçar a vida e ensinar que o prazer é uma dádiva que merecemos.




Um presente para si mesmo, para ser contem – plado ao despertar. Para lembrar que somos amados. Que somos dignos de receber nosso próprio amor.



Para a compreensão do destino, um móvel de madeira basta. Ele ensina que o destino e os acontecimentos da vida buscam nos esculpir para liberar o melhor de nós, assim como um tronco talhado em mobiliário revela novas qualidades.





As cores do arco-íris, ou uma prisma, na janela. Para avisar que o homem e a natureza se completam, se misturam e podem gerar infinitamente novas possibilidades.



Uma poltrona, onde possamos nos aquietar. “nada fazendo, a primavera vem e a grama cresce por si”, ensina o ditado chinês.



Minha preferida é essa da Mannes, desenvolvida pelo designer Roberto Mannes Jr. 


Uma janela que revele o céu. Que mostre que somos pequenos diante do infinito, mas que somos parte do infinito e, por isso, também somos grandes.




Uma vela para simbolizar o sol, a luz maior que nos guia, o destino superior que nos aguarda.



Antes de enviar objetos ao espaço, precisamos aprender a nos presentear. Mais importante é cuidar da terra e projetar ambientes que valorizem a vida. Afinal, do que mais necessitamos? Citando o poeta paraense Thiago de Mello , eu diria: “de um fragmento de canção, de uma leve lembrança de alvura, ou talvez apenas da sombra de uma ternura”.


Fonte: Carlos Solano (arquiteto e escritor, autor de livros de arquitetura e de Feng Shui).

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